Fazer uma pessoa levitar, mover objetos com toda aquela concentração, atirar e arremessar objetos como em filmes de bruxos parecem coisas inexplicáveis na realidade, banhadas por truques e efeitos especiais. Mas não é por esse ângulo que os pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, enxergam os fatos. Lá, é possível pôr a força da mente para trabalhar.

O brasileiro Miguel Nicolelis, chefe do laboratório de neurofisiologia da Universidade Duke, e o americano Dennis Turner, neurocirurgião, encabeçam as pesquisas voltadas para essa área. O trabalho deles na Universidade consiste em desenvolver um método prático e seguro para a captação e decodificação de ondas cerebrais que serão convertidas em linguagem digital, a qual aciona o equipamento destinado a realizar os movimentos.
Testes com ratos e macacos e, surpreendentemente, já com humanos têm mostrado que os pesquisadores estão no caminho certo. Este último tipo de teste foi realizado no Centro Médico da própria Universidade Duke durante uma operação para tratamento do mal de Parkinson. Com o crânio aberto e acordado - assim como as cirurgias para esse mal exigem - o paciente teve um conector com microfios da espessura de fios de cabelo colocado na região responsável pelos movimentos e ao conector cinquenta neurônios foram ligados. O paciente então precisou mover uma figura em um monitor com uma espécie de mouse.
