Com os duzentos anos do nascimento de Charles Darwin completados neste ano e o
sesquicentenário da publicação de sua obra-prima científica, A Origem das Espécies, uma questão intrigante surge desafiando não só o espaço escolar, mas expandindo-se por todos os outros campos. Por que, em um mundo tão
divulgadamente globalizado, há uma forte relutância em se aceitar a teoria
evolucionista? E o mais grave: por que essa relutância se transforma na opção de escolas evangélicas e adventistas de omitir tal teoria nas aulas?
É estranho perceber que no país das melhores universidades, com metade dos cientistas premiados com o Nobel e o qual detém um número de patentes registradas superior à soma de seus concorrentes
diretos, apenas um em cada dois americanos acredita na teoria de Darwin. Sendo assim, metade da população considera anos de pesquisas e provas
cabais como mais uma mera teoria.
Mais estranho ainda é pensar que a ciência e a fé, hoje em conflito, já estiveram unidas. As civilizações antigas, como a
babilônica, a persa, a hindu e principalmente a romana da qual engenheiros
projetaram e construíram o mais avançado aqueduto de seu tempo banhando-se em sangue de touro para garantir
proteção divina, são provas legítimas. E a fusão que soaria indelével deu origem a um dos maiores embates argumentistas
atuais, aquele que busca definir, porém sem aparente sucesso, de onde viemos.