21 de janeiro de 2014

2014, ano do quê?

Como caminhos antes percorridos podem agora ter ares tão diferentes? Como vozes podem soar em outro tom? Alguém bem me disse uma vez que o aeroporto da volta nunca é o mesmo que o da partida. E eu quero tanto pegar esse voo...

É com um misto de nostalgia, sensação de dever cumprido e receio da incerteza que eu me lanço em 2014. E aproveito para agradecer a todos que estiveram comigo no ano que se foi me ensinando um pouco do tanto que sabem, me dando coragem e confiança para que as novas empreitadas dessem pé, me aconselhando nas encruzilhadas e comemorando com esta foca as suas conquistas.

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23 de dezembro de 2012

Data vênia, fim do mundo



Pronto. O dia 21/12/12 passou e nenhuma hecatombe aconteceu. Que me desculpem os apaixonados pelos filmes de apocalipse, mas ainda não foi desta vez que vocês fizeram cosplay do "Independence Day", "Armageddon", ou coisas do gênero. Precisaremos pagar a fatura dos nossos cartões de crédito, comprar os presentes de última hora e arrumar as malas para as férias. Ufa!

16 de dezembro de 2012

Para não dizer que não falei dos amores


Cultura não é, nem de longe, a área com a qual a foca tem mais afinidade, mas me senti tentada a escrever sobre o filme que me proporcionou ótimo momento neste fim de semana. Falo do “Liv & Ingmar - Uma História de Amor" sobre a relação de 42 anos entre a atriz Liv Ullmann e o cineasta Ingmar Bergman – primeiro como companheiros de trabalho, depois como marido e mulher, e por fim como grandes amigos.

Na Folha, li que o filme acabara por se tornar enfadonho; o Estadão – que deu a capa do seu “Caderno 2” de sexta – foi só elogios, especialmente acerca da sensibilidade com a qual o diretor Dheeraj Akolkar aliou o que lhe contou Liv com as cenas dos filmes de Bergman que ela protagonizara, arrematando com as belas paisagens norueguesas. O resultado, definitivamente, me encantou de tanta sublimidade.

22 de novembro de 2012

PUC-SP continua parada com nomeação de reitora


Em continuação ao post da semana passada, sobre os protestos que começaram no campus Monte Alegre da PUC-SP após o anúncio do novo reitor, sigo com as notícias que partem de Perdizes para os leitores deste Declarando. Acrescento antes a reportagem que a equipe da TV PUC-SP produziu após mais de 14 horas de cobertura - equipe com a qual eu tenho orgulho de ter meu nome envolvido.


Anna Cintra foi nomeada pelo Grão-Chanceler Dom Odilo Scherer, na segunda-feira (12), nova reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Sob sua tutela estariam os seis campi com mais de 15 mil alunos, sem contar a infinidade de funcionários – professores, trabalhadores diretos e terceirizados. Embora nomeada por quem tenha plenos poderes para tal – logo, não há “golpe”, o ato é legitimado pelo Regimento da Universidade – a professora Anna não foi a mais votada na eleição realizada em agosto com a participação de toda a comunidade puquiana. À sua chapa, “A PUC vale a pena”, coube o terceiro e último lugar. (Leia no texto anterior como se dá o processo de escolha na PUC.)

14 de novembro de 2012

PUC-SP para em processo de eleição para a reitoria

Atualizado às 09h11 de quarta-feira

Passava um pouco das oito horas da noite quando chega à Redação da TV PUC, primeiramente através do Twitter do professor José Salvador Faro e depois pelo próprio site da PUC, a informação de que Anna Cintra seria a nova reitora da universidade, em contraposição à eleição que deu a Dirceu de Mello mais um mandato. Conversas iniciais em uma Redação quase vazia, pelo andar da hora, evoluíram para apuração. Fora dada a largada para a cobertura que chacoalharia brutalmente a noite da foca, que só pensava em terminar de editar sua reportagem e ir para casa assistir à dobradinha Jornal das Dez - Entre Aspas (Globo News).

Dom Odilo Pedro Scherer, Grão-Chanceler e Presidente do Conselho Superior da Fundação São Paulo, assinou na tarde da última segunda-feira (12) o Ato que nomeia Anna Maria Cintra como reitora e José Eduardo Martinez como vice-reitor, passando ambos a assumir no dia 29 de novembro; os mandatos a frente da universidade são de quatro anos. A Fundação São Paulo (FUNDASP) é a mantenedora da Pontifícia e, portanto, participa das decisões através do Conselho de Administração (CONSAD) com os secretários executivos João Júlio Farias Júnior e José Rodolpho Perazzolo. O terceiro membro do conselho, e seu presidente, é justamente o reitor – cargo que nos últimos quatro anos foi de Dirceu de Mello.

12 de julho de 2012

“Enlace – a Loja do Ourives” pela foca que viu, ouviu e entrevistou

Vamos falar de teatro? Eu quero apresentar para vocês um musical que está em cartaz no TUCA, o teatro da minha universidade. Não me entenda mal por esse “minha”, caro leitor, mas há uma coisa na vida chamada “espírito puquiano” que contagia aqueles que entram na Pontifícia e os faz ter a impressão de que todas as dependências são deles. Pobres de nós, aprendizes de megalomaníacos. Tse tse tse...

De volta ao teatro, “Enlace – a Loja do Ourives” é um musical com ares de mega produção: são 26 atores em cena cantando e dançando ao som de uma orquestra com 10 músicos e outros tantos profissionais por trás das cortinas que garantem as trocas de roupas e cenários. Afinal, um espetáculo que vai e volta nos três tempos da história – anos 30, 60 e 80 – precisa de fôlego para segurar bem as 2h15 em cena. Dica: se essa coisa de atores cantando e dançando não costuma te agradar, não perca seu tempo indo ao TUCA. “Enlace” é para quem gosta – ou pelo menos não desgosta – de um enredo agitado, com idas e vindas e diálogos que terminam em cantoria.

Foto: Divulgação

15 de março de 2012

Tem mais samba no som que vem da rua

Foto: Ana Beatriz Camargo

Todo estudante de jornalismo que se preze está cansado de ouvir dos coleguinhas mais experientes: "eu gosto mesmo é da rua""é na rua que as coisas acontecem, é lá que eu me sinto bem""to na bancada, mas quero voltar para a rua o mais rápido possível". E se você não é jornalista, pode acreditar, é isso o que nós, focas, mais ouvimos. "Foca", que fique bem claro, é como a gente chama quem está começando na profissão - aquele cara ou aquela menina sem experiência que é tão foca mais tão foca que às vezes nem sabe que é foca.

Mas voltemos à rua. A foca que aqui escreve entrou na faculdade já acostumada com esse negócio de que é lá que os repórteres se realizam. E a ansiedade, mãe de todo universitário, só fazia aumentar a vontade de encará-la. Eu acreditava na rua, colocava uma fé danada nela, mas não deixava de pensar nas dificuldades que estariam por vir...

9 de março de 2012

"Os resultados das mulheres no Brasil vêm melhorando", diz Fabiana Murer ao Declarando

Há 35 anos comemoramos o Dia Internacional da Mulher, uma vez que só em 1977 as Nações Unidas reconheceram o 8 de março como dia para lembrar e homenagear aquelas que, no século XIX, protestaram contra jornadas de trabalho exaustivas, remuneração nada condizente com a produtividade e trabalho infantil nas fábricas. Reivindicações essas que são marcas da Revolução Industrial, já que o avanço na produção de mercadorias implicou em piores condições de trabalho.

Hoje, ainda vejo a data como um momento para falar de nós - discutir o quanto avançamos e repensar os principais entraves à igualdade de oportunidades, homenagear aquelas que mostraram como é que se faz e incentivar as centenas de empreendedoras em potencial. Enfim uma data que não caiu nas garras do comércio. Viva!

6 de março de 2012

Mobilize-se: é mobilidade urbana no Declarando

Ei, você, declarante! Atenção que o momento é de novidade! É com muita expectativa e aquele frio na barriga, que os novos desafios nos proporcionam, que eu anuncio o “Mobilize-se”. Essa será a nossa palavra-chave aqui no Declarando para abrir espaço à mobilidade urbana, ao ir e vir nas grandes cidades, especialmente São Paulo.


15 de fevereiro de 2012

Chega de saudade


Há quase três anos, embalada por uma das minhas canções francesas preferidas, eu publicava no blog um texto sobre a perda. Eu falava desse sentimento capaz de me tirar do prumo e me render horas e horas de solilóquio, eu discorria sobre o quão desgastante é uma ruptura. No ínterim que separa aquele texto – escrito por uma estudante do alto dos seus 16 anos – deste, de uma universitária com seus 19, acredito que o que menos tenha mudado seja a minha relação com a danada da perda. Talvez agora ela seja cantada em poesia, ou em frases feitas, e pontuada pelo autoconhecimento que sessões de terapia podem proporcionar. A inquietação, entretanto, persiste.

Quando ainda começava a organizar as ideias no papel para o primeiro texto, uma frase chamou minha atenção dentre as demais: "a pior espécie de perda não é aquela causada pela morte – quando muitas vezes nada podemos fazer – mas sim, o distanciamento dos corpos, das almas na terra, quando pessoas vão se perdendo, sentimentos vão se perdendo, e no final, tudo que resta é o silêncio". Se a saudade da morte é como dizem por aí, o que "fica de quem não pode ficar", a saudade dos que se perderam em vida é para mim como para Carlos Drummond: algo de autoacusação e arrependimento.

19 de novembro de 2011

É a gota d’ água

Antes de começar, eu já aviso: se pelo título você ainda não se tocou que este post será sobre o vídeo “Gota D’ Água + 10” e se você acabou de se perguntar que raio de vídeo é esse, eu te aconselho a entrar no site do projeto e dar uma olhada. Se você ligou o nome à pessoa logo de cara, parabéns, isso quer dizer que você tem, no mínimo, dez amigos que compartilharam o link com você.


Todo mundo já sabe que o vídeo do movimento “Gota D’ Água”, com aquele monte de artistas globais, teve inspirações norte-americanas. Foi lá no país do iPhone, do Mc Donald’s e da Starbucks que o ator – e lindo – Leonardo de DiCaprio reuniu, às vésperas da eleição presidencial de 2008, uma galera influente da TV, do cinema e da música para incentivar a população americana a se registrar e votar (veja o vídeo). Explica-se: lá nos EUA, ao contrário do que acontece no Brasil, o voto não é obrigatório, mas para ir às urnas é necessário cumprir o prazo do registro de eleitores.

9 de novembro de 2011

Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira pra lá...

Quando entrei na sala, ainda ao som dos murmúrios dos colegas que encontrei no elevador, e já atrasada uns vinte minutos, vi aquela senhora sentada e logo pensei que fosse mais uma (boa) jornalista que meu professor convidara para conversar com estes aflitos estudantes de jornalismo ávidos por contato com o tal do “mercado”. A convidada contaria detalhes de sua carreira, as reportagens mais difíceis que tivera que fazer, nós a indagaríamos sobre a obrigatoriedade do diploma e ela encerraria a aula com algum conselho para os jovens jornalistas. Ledo engano...

A senhora não era apenas jornalista e não estava ali somente para contar suas peripécias com câmeras e microfones. Quem estava sentada na minha frente era Rosemeire Nogueira Clauset, a Rose Nogueira, mulher aguerrida do ativismo social, jornalista, mãe e sobrevivente das sevícias da ditadura. Eu não sabia nada sobre a história dessa mulher antes daquela aula. Agora, duvido que eu vá esquecer um dia do que ela viveu.

3 de novembro de 2011

"Eu não sei" e sou feliz assim

Tenho andado um tanto quanto embasbacada com certos comentários que ouço por aí. Talvez - e é bem provável que seja por isso mesmo - essa sensação não passa de um reflexo de uma vida universitária. Afinal, é uma fase tão intensa, tão cheia de cheiros e novos prazeres, que me dá até vertigem, não são poucas as vezes em que me falta o chão. É algo como um momento de prazer e de pura excitação que leva quatro anos para passar e quando passa exige alguns meses até que você recobre sua respiração e seu batimento cardíaco.

Depois de um período de profunda inquietação, beirando o desespero, pensando que eu perdera a capacidade de ter opinião e continuar produzindo textos como antes - textos esses que dividi com vocês aqui no Declarando - creio que encontrei uma balsa segura para atravessar esse mar escuro de incertezas. Mas se engana quem pensa que "conclusão" é o nome dessa balsa. Tenho arrepios na espinha com essa palavra. É só ouvir "conclusão" e pimba!

21 de julho de 2011

O dia em que eu equilibrei a bola com o nariz

Sim, caros seguidores, o Declarando ao ver os primeiros flocos de neve entrou em estado de hibernação, mas agora com os raios de sol acorda mais disposto do que nunca. Levando em conta que a hipérbole sempre foi uma das minhas figuras de linguagem preferidas, o que aconteceu foi mais ou menos isso que eu contei mesmo, com algumas ressalvas. Uma delas - e talvez a mais importante - é que o Declarando será alimentado com informações em um novo formato! No meio deste primeiro semestre, troquei a caneta pelo microfone, o gravador pela câmera e o corretor ortográfico, meu fiel amigo de todas as horas, por um programa de edição de imagens que ainda me deixa com dor de cabeça, mas em contrapartida, me permite picotar, colar, desfazer, fazer de novo, colocar imagem em cima de áudio, vídeo em cima de voz, fazendo os olhinhos desta foca aqui brilharem. Fui contratada.

11 de maio de 2011

Que viva o negro!

É fato sabido que, no ano de 1888, a Princesa Regente Isabel assinou a lei que acabaria com cerca de três séculos de escravidão no Brasil. Entretanto, o que fica subentendido deste episódio é o tratamento dado àqueles que, de repente libertos e independentes, precisaram tomar conta de suas próprias vidas e que estavam longe de brigar em pé de igualdade com a massa trabalhadora branca e de alforriados, que já disputava um mercado até então embrionário. Assinou-se a lei e se impediu a escravidão, mas quanto às condições oferecidas aos negros, pouco esforço foi despendido. A elite produtora precisava de mercado consumidor e acabou por apoiar a decisão da Corte, manchando o caráter libertário do movimento abolicionista de Joaquim Nabuco.

Agora, às vésperas do 13 de maio e da comemoração dos 123 anos da abolição da escravatura em solo tupiniquim, há de se questionar como vive o negro, quais são seus algozes em pleno século XXI, o que corrompe sua dignidade e com quais artifícios ele combate o preconceito. Para que as respostas não omitam a verdade, além de dados estatísticos auferidos pelos grandes institutos e ONGs, é necessário permitir que a subjetividade entre no debate e, respaldada pela razão, assuma um papel importante. Afinal, não é apenas contra os baixos salários que os negros levantam a voz, mas principalmente, contra o preconceito que corrói.